segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Atraente
Não vou negar que tenho medo de ti,
Medo das tuas unhas atraentes e macias,
Do teu manto leve e fresco,
Da tua boca vermelha e carnuda,
Do teu vestido acetinado e
Do teu guarda-fatos retangular, polido e invernizado na mais nobre madeira

Tenho medo da tua pele cor da terra vermelha do Brasil e
De que tu enterres na tua epiderme as pessoas que mais amo
Não tenho medo que tu me leves para dentro de ti
Mas é conflituoso o que a nossa noite de amor acarreta

Prometa-me que não me trairás e que terás somente a mim
Que não beijarás tão cedo os meus amigos e os meus seres mais amados
Promete-me isto em silêncio e segreda-me o mistério nunca dantes desvendado

Prometa-me que quando me levares para dentro de ti,
deixarás que eu escreva cartas e que eu veja os meus familiares de longe
Promete-me que será me ás fiel e que ninguém sofra pela minha ausência

Tu irás chegar de mansinho e não degradarás o meu corpo
Uniremo-nos ao soprar doce do vento e iremos embora com a chuva
Não deixarás que o meu perfume fique empregnado nas minhas roupas
Pois elas serão de uma pessoa que precise mais do que eu
Por que eu serei da água, do fogo, da terra e do vento
Seremos as duas os quatro elementos e nos alimentaremos da luz infinita do sol e
Quando eu estiver preparada para regressar,
Far-me-ás desabrochar de uma flor de cerejeira

Prometes-me isso,
Senhora Morte!
E eu não terei medo de ti!

Prometa-me que em  morte
Eu ainda estarei viva e
Façais juz à tua misteriosa beleza...

Um comentário: